domingo, 11 de novembro de 2018

Liga NOS 18-19 - FC Porto 1-0 Sporting de Braga: Equilíbrio do princípio ao fim, ganhou o mais eficaz.

Jogo entre primeiros classificados e entre as melhores equipas do campeonato até agora e a verdade é que não desiludiu. Sem encantar em termos ofensivos, uma vez que a maioria dos executantes são tecnicamente pouco evoluídos, foi um jogo intenso, com oportunidades de golo para ambos os lados e com organizações defensivas bastante bem afinadas. A vitória sorriu aos dragões na última oportunidade do jogo, mas na realidade podia ter caído para qualquer lado.
Porto sempre com mais posse mas não admira, é mais forte e jogava em casa. Como é normal na equipa de Sérgio Conceição, os corredores laterais foram mais utilizados do que o central, sobretudo o esquerdo, com Militão, Alex Telles e Brahimi em bom plano. Felipe, Maxi e Corona também foram combinando no corredor direito mas com menos frequência. No meio os motores da equipa, Danilo e Óliver, que foram sempre solicitados por toda a equipa. Mais um jogo interessante de Óliver que sabe sempre o melhor caminho a dar a cada lance e por isso é sempre fundamental numa equipa onde a criatividade não abunda. Soares e Marega foram o que são sempre, combativos, fortes nos duelos e desastrados com a bola nos pés. Marega foi mesmo sofrível neste jogo...
Muito menos passes para o Braga e por isso a rede é muito menos intensa. As combinações mais visíveis são mesmo na linha defensiva. Alguma actividade no corredor esquerdo com Pablo, Sequeira e Horta. Claudemir a ligar bem o jogo entre a defesa e o meio campo e Fransérgio sempre mais próximo da baliza. Mesmo com menos bola, o Braga foi sempre muito perigoso quando a teve. Poucos passes para chegar à baliza, mas muita objectividade e critério, excepto no momento da finalização onde podiam ter sido mais assertivos.
O equilíbrio é bastante evidente no gráfico de golo esperados (xG). E o equilíbrio foi constante do início ao fim do jogo. O Porto marcou no último lance de finalização e foi esse lance que fez a diferença no marcados e nos xG. O empate era justo pelas oportunidades que os arsenalistas tiveram ao longo dos 90 minutos, mas a sorte acabou por premiar a equipa da casa.

sábado, 10 de novembro de 2018

Europa League 18-19 - Arsenal FC 0-0 Sporting CP: Segundo jogo, primeiro empate.


Ao segundo jogo de Tiago Fernandes o primeiro empate da Sporting, desta vez no reduto do Arsenal, que se apresentou com uma equipa com alguns jogadores menos utilizados. O Sporting actuou com o melhor onze mas ainda assim esteve sempre no momento defensivo e apenas em 2 ou 3 ocasiões conseguiu chegar a zonas de remate.
A posse foi deixada para segundo plano e o objectivo principal foi sempre ocupar bem os espaços e não deixar o adversário ter bola no último terço. O empate foi conseguido e por isso diria que o objectivo principal também, mas mais à frente veremos que foi com alguma sorte. O corredor esquerdo foi o mais utilizado para atacar com Mathieu mais uma vez em destaque em combinações com Acuña e Nani. Bruno Fernandes foi o médio mais solicitado por Gudelj e Miguel Luís e conseguiu algumas combinações com Diaby mas sem grande objectividade. Montero raramente teve bola e oportunidades de finalizar muito menos. Renan jogou quase sempre no chão e isso é uma mais valia para quem quer atacar em organização ofensiva.
A bola esteve quase sempre com o Arsenal que opta quase sempre pelo jogo interior. Guendouzi e Ramsey foram donos e senhores do meio campo e conseguiram chegar a zona ofensiva por diversas ocasiões. Os centrais foram sempre os primeiros a tentar entrar no bloco defensiva adversário e quase sempre pelo corredor central. Os extremos jogaram muito por dentro (mais Mkhitaryan do que Iwobi) e os laterais sempre a dar largura (Lichsteiner mais ofensivo mas Jenkinson mais utilizado). Wellbeck não tem linhas de passe sobretudo porque se lesionou e foi substituído aos 30'.

O Sporting acabou o jogo com 0.2 xG o que diz bem do pouco que se produziu em termos ofensivos. O Arsenal teve várias oportunidades mas sempre com pouco valor, excepção feita ao remate de Aubameyang aos 45'. Os ingleses terminaram o jogo com 1.3 xG e mereciam o golo que lhes daria a vitória mas foram penalizados pelo facto de terem tentado sempre de zonas pouco propícias a golos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Champions League 18-19 - SL Benfica 1-1 Ajax FC: Primeira parte interessante do Benfica, segunda parte controlada pelo Ajax

Duas partes distintas teve o 4º jogo do Benfica na Champions: a primeira parte dominada pelo Benfica com 1 golo e a segunda parte dominada pelo Ajax com 1 golo. Benfica com um pé e meio fora da Champions e a caminha da Liga Europa.
Apesar do controlo das oportunidades de golo na primeira parte, a posse de bola foi sempre dominada pelos holandeses. O Benfica teve pouca bola e espreitou sempre os erros do adversário para ameaçar a baliza adversária. Ainda assim, mais trabalho ofensivo no corredor esquerdo com Grimaldo, Cervi e Gabriel e ainda Jonas. Rúben Dias, André Almeida e Sálvio combinaram bastante na primeira parte mas com menos ligação com Jonas. Fejsa e Gédson estiveram sempre mais preocupados em recuperar a bola do que em construir. É para mim estranho como é que Pizzi (o melhor jogador do Benfica desde o início da temporada) e Rafa (numa forma enorme e o único que tem sido capaz de desequilibrar) não jogam de início neste jogo...
O controlo da posse foi claramente dos holandeses mas aqui ainda assim não foram capazes de criar grandes oportunidades (o primeiro remate foi aos 38 minutos!). O guarda-redes Onana saiu sempre a jogar pelo chão e teve até um calafrio num desses lances com Jonas. Ao contrário do que os comentadores da TVI disseram, Onana é bom a jogar com os pés e como arrisca às vezes corre mal, mas as vezes em que corre bem e elimina uma linha defensiva com apenas um passe valem muito mais do que esse risco. O jogo do Ajax passa quase todo por Frenkie de Jong. O médio de 21 é o maior talento da equipa e um dos maiores da Europa e é certo que não deve tardar a saltar para uma das melhores equipas do mundo. O jogo interior da equipa passa todo por ele e capacidade que tem para furar linha em passe ou em condução é brutal. Ziyech e Neres produziram menos do que seria de esperar sobretudo na primeira parte onde tiveram pouca bola para isso. Supostamente o Ajax terá jogado sem ponta de lança (Dollberg ou Huntelaar), mas a realidade é que Tadic não sendo Avançado ocupem bem a posição e acaba com uma média mais ofensiva do que muitos avançados.
Primeira parte inexistente do ponto de vista da finalização para o Ajax com o Benfica a criar 0.98 xG e a marcar 1 golo, enquanto os holandeses terminaram os primeiros 45 minutos com 0.03 xG e sem golos. Na segunda parte domínio do Ajax que fez 1.4 xG e o Benfica fez novamente 0.98, sobretudo devido ao último lance do jogo onde Gabriel podia ter feito o golo. O Ajax fez o golo na segunda parte e o empate acaba por ser justo, mas a haver um vencedor seria o Benfica que fez o suficiente para os 2 golos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Champions League 18-19: FC Porto 4-1 Lokomotiv Moscow

Vitória tranquila da equipa do Porto que, como já tinha avançado no jogo anterior, carimbou o passaporte para os oitavos de final da liga dos campeões. O Porto é mais forte que os Russos e isso notou-se nos 2 jogos. Matematicamente falta apenas 1 ponto para a qualificação.
A posse de bola foi dominada pelos dragões como se pode avaliar pela rede de passes. O 4-3-3 é bastante perceptível, talvez tirando Marega que aparece mais recuado, provavelmente por causa dos duelos aéreos que teve que disputar no ar na zona do meio campo. O corredor direito foi mais utilizado com Felipe e Maxi bastante solicitados juntando Herrera/Óliver e Corona nas combinações, e até Marega entra no grupo. Casillas jogou quase sempre pelo chão e isso nota-se na rede.
Menos bola para os Russos que optam regularmente pelo jogo directo e isso nota-se na ausência de linhas entre defesas e médios. Anton Miranchuk é claramente o motor da equipa na posição "10" (atrás de Eder) e tem linhas de passe de todos os médios, dos laterais e dos extremos. Denisov também foi bastante interventivo e foi sempre a primeira opção na segunda fase de construcção. Manuel Fernandes jogou como extremos esquerdo e isso tira-lhe muito daquilo que o português pode trazer ao jogo.
O golo de Octávio (o 4-1) veio trazer um desequilíbrio no marcador que os golos esperados espelham (o remate de Octávio teve 0.03 xG), de resto foi exactamente o que aconteceu no jogo. Este jogo é importante para se perceber a mais valia de uma métrica como os golos esperados. Se formos olhar para a estatística de remates do jogo temos 14 para o Porto e 15 para o Lokomotiv. Por aqui podíamos ser tentados a pensar que o jogo teria sido equilibrado, no entanto os golos esperados mostram 2.18 xG para o Porto e 1.16 xG para o Lokomotiv. Os russos remataram mais mas as oportunidades do Porto foram muito melhores, em zonas mais simples de finalizar e com maior probabilidade de dar golo.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Santa Clara 1-2 Sporting CP: Interino vence jogo com primeira parte sofrível


Dois jogos completamente diferentes foram jogados nos Açores. Primeira parte muito equilibrada com o Santa Clara a fazer o único golo até ao intervalo e segunda parte completamente dominada pelo Sporting que fez 2 golos e podia ter feito mais 1.

O Sporting dominou a posse de bola de forma bastante vincada. Bruno Fernandes é neste momento o motor da equipa e tem subido de forma consideravelmente. Mas o jogador mais importante da manobra ofensiva da equipa é mesmo Mathieu, o defesa central. A primeira fase de construção é muito importante em equipas que desequilibram na organização ofensiva, por isso o Francês é fundamental no Sporting e a equipa melhorou muito desde que Mathieu recuperou da lesão. O corredor esquerdo, com Mathieu, Lumor, Nani e Bruno Fernandes foi sempre mais solicitado. Diaby não tem linhas mas tem a desculpa de ter saído ao intervalo. Bas Dost foi o que é sempre, zero envolvimento no jogo ofensivo e decisivo nas zonas de finalização.

O Santa Clara abdicou da posse e está organizado para criar perigo em contra-ataque e sobretudo nas bolas paradas onde tem sido mortífero. O triângulo do meio campo for pouco interventivo e o único que remou contra a maré foi Rashid, que tem sido dos mais importantes esta temporada. O corredor esquerdo foi um pouco mais ofensivo que os restantes com Mamadu, Rashid e Pineda a combinar em algumas situações.
Olhando para os golos esperados (xG) temos a noção clara do que se passou no jogo: ao intervalo tínhamos 0.52 xG vs 0.59 xG e um jogo bastante pobre com poucas oportunidades e de baixo valor. Na segunda parte domínio total dos leões com muitas oportunidades e algumas com alto valor: o penalty de Bas Dost, remate de Jovane aos 66' e o golo de Acuña. Resulto justo e três pontos para Alvalade.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Marítimo 0-2 FC Porto: Campeão continua tranquilo na frente


O campeão FC Porto ganhou o seu jogo com alguma facilidade onde enfrentou um Marítimo pobre de ideias e com o único objectivo de não perder o jogo. Conseguiu o objectivo até aos 69 minutos, mas a postura em campo não deixava antever outra coisa que não a derrota:

O FC Porto dominou a posse de forma bastante visível com uma influência muito interessante de Óliver que vem numa subida de forma desportiva fantástica. O Porto só tem a ganhar com isso. O corredor esquerda foi, como normalmente, o mais utilizado com Alex Telles e Brahimi em grande destaque. Maxi e Corona também combinaram muito sobretudo solicitados por Danilo. Soares aparece bastante recuado, sobretudo por causa dos duelos aéreos a que foi chamado várias vezes. Os extremos jogam bastante por dentro o que ajuda os dois médios do Porto (e sobretudo Óliver) a desequilibrar o adversário por dentro.

O Marítimo teve pouca bola (tive que baixar o limite mínimo para 3 passes e não 5 como é normal, caso contrário não havia linhas) e isso nota-se bem nesta rede. Nota-se bem o desenho táctico dos madeirense com 3 centrais, 2 alas, 2 médios defensivos e 3 na frente, com os extremos bastante interiores para libertar os alas. O corredor direito foi mais chamado a construir mas quase sempre sem grande êxito: o triângulo Bebeto, Vukovic e Baiano combinou algumas vezes, mas sempre em transição e com pouca qualidade.
Até aos 28 minutos o Marítimo não teve uma oportunidade de golo, em casa é muito estranho e constrangedor. Sobre a primeira parte do jogo também se pode dizer que o Porto foi pouco mais do que inexistente. Ao intervalo os números estavam em 0.07 xG vs 0.39 xG. Foi uma primeira parte bastante secante e sem interesse.A partir do lance do penalty o FC Porto acordou e fez o suficiente para ganhar por 2 ou 3 golos.

domingo, 4 de novembro de 2018

SL Benfica 1-3 Moreirense: a tragédia continua


Mais uma jornada e mais um desastre para a equipa da Luz. Desta vez foi o Moreirense que ganhou pela primeira vez ao Benfica e logo em casa! O homem dos recordes, que ainda há dias puxava dos galões, dizendo que era o melhor treinador do Benfica na Liga dos Campeões em termos de rácio vitórias/jogo (e que o Zerozero veio depois informar que era mentira!), voltou a bater recordes, é o primeiro a perder com o Moreirense.

O Benfica a jogar em casa obviamente que dominou a posse, a rede de passes é muito clara. O corredor onde actua Pizzi mais uma vez a ser o mais utilizado (lembro que Pizzi saiu ao intervalo!!!) com combinações entre Jardel, Grimaldo, Pizzi e João Félix. Rafa teve menos bola do que seria suposto apesar de ter sido o mais perigoso da equipa. André Almeida foi substituído e por isso também tem menos linhas de passe. Jonas muito mais interventivo do que Seferovic nos últimos jogos. O jogo do Benfica continua a desenrolar-se sobretudo nos corredores laterais o que impede os encarnados de desequilibrarem mais facilmente os adversários em ataque organizado.
O Moreirense teve menos bola como seria de esperar, mas desengane-se quem pensa que se limita a jogar em contra-ataque ou usando apenas jogo directo. Sempre que os de Moreira de Cónegos conseguiram ter a bola foram sempre organizados, com a bola no chão (desde o guarda-redes como mostra a rede de passes) e com capacidade para chegar ao último terço com a bola. É verdade que os golos foram eminentemente na transição ofensiva, mas isso não implica que não tenha sido uma equipa organizada a defender e a atacar. Chiquinho (emprestado pelo Benfica) foi o melhor do Moreirense, para além do primeiro golo ainda foi sempre o primeiro organizador e dele saíram quase todas as jogadas de perigo. Destaque para Arsénio que fez as 3 assistências e foi sempre opção nas transições. Loum fez mais um jogo muito interessante e é um dos valores a ter em conta nesta equipa para dar o salto.
O resultado pode não ter sido o mais justo uma vez que o Benfica acabou por ter muito mais oportunidades de golo que os visitantes, mas mais uma vez há várias coisas que devem preocupar o treinador do Benfica. Ao intervalo (o resultado já era 1-3) o Benfica tinha 1.7 xG e o Moreirense tinha 1.02. Isto deve preocupar muito os responsáveis do clube encarnado que não podem achar normal que uma equipa que luta pela manutenção divida a primeira parte de um jogo no estádio da Luz. O Moreirense teve alguma sorte nos golos (sobretudo o terceiro, que matou o jogo) mas ainda assim não se poder deixar de perceber que o Benfica continua a permitir demasiadas oportunidades a todos os adversários. Muito preocupante!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Belenenses 2-0 SL Benfica

Primeira derrota do Benfica na presente época e mais uma prova de que nem sempre quem cria mais marca mais. É a beleza do futebol. Não vi um único minuto do jogo e por isso o que aqui escrevo é baseado nos dados (rede de passes e xG).
A rede de passes mostra que Odisseas desta vez tentou jogar pelo chão algumas vezes, ou pelo menos mais vezes do que tem sido habitual. Os corredores laterais continuam a ser as zonas preferenciais mas desta vez é o corredor direito o mais usado. Se olharmos para o posicionamento médio de Pizzi, facilmente se percebe porquê. O português é sempre o principal motor da equipa e onde ele está, há sempre mais combinações. Reparem que Pizzi consegue criar padrões com ambos os laterais, o que mostra a influencia e a capacidade que este tem de ocupar todo o terreno do médio benfiquista. Pizzi saiu aos 68' o que é estranho a não ser que estivesse lesionado. Sálvio continua a ser uma ilha na organização ofensiva do Benfica, combina apenas com André Almeida e quase sempre agarrado à linha (saiu ao intervalo, o que só demonstra inteligência).
O Belenenses teve pouca bola (esta rede é apenas para mais do que 3 passes, ao contrário do Benfica cuja rede tem apenas linhas com mais do que 5 passe) e a equipa esteve constantemente em organização defensiva em bloco baixo, aproveitando o contra-ataque para desequilibrar o adversário. Ainda assim Muriel tentou quase sempre jogar pelo chão e tem linhas para ambos os centrais. Não é fácil perceber o desenho táctico da equipa porque os extremos estão muito atrás e misturam-se com os laterais.Zacarya e Licá são os extremos de um 4-3-3 com um meio campo com André Santos, Eduardo e Lucca.
Com o gráfico de golos esperados (xG) facilmente se percebe o que disse no início do post, o Benfica criou muito mais do que o Belenense e podia de facto ter ganho o jogo, conforme se desculpou Rui Vitória. O que não deve permitir é que um adversário de muito menos valia, que luta para não descer, tenha mais do que 2 xG. Não é normal uma equipa criar o suficiente para marcar 4 golos não marcar nenhum, mas pode acontecer e aconteceu. Mas isso não esconde as fragilidades da equipa na transição defensiva e também não esconde a dificuldade que Rui Vitória tem em mexer na equipa sempre que as dificuldades aparecem. Não me parece sensato terminar o jogo com 3 pontas de lança e sem médios com capacidade de criar. Lembro que o Benfica terminou com Jonas, Seferovic e Castillo e ainda 2 extremos - Rafa e Zivkovic - e apenas Gédson no meio campo... não faz sentido.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

UEFA Europa League: Sporting CP 1-3 Arsenal FC


À terceira jornada o Sporting perdeu na Liga Europa. Não é uma derrota humilhantes, mesmo sendo em casa, uma vez que jogou contra um dos "big 6" da Premier League - o Arsenal. Não é necessário falar em nomes para se perceber que se trata de uma das equipas do mundo com mais qualidade individual no seu plantel. Aviso prévio: não vi um minuto do jogo e tudo o que eu disser é apenas baseado nos dados.
Analisando a rede de passes é fácil de perceber que a estratégia de José Peseiro não incluía controlar a posse de bola. Aparentemente a ideia seria baixar o bloco, dar a bola ao adversário e tentar ferir o adversário nas transições ofensivas aproveitando o espaço nas costas do Arsenal. Apesar do desenho táctico inicial mostrar o normal 4-3-3, com Nani e Bruno Fernandes nos corredores laterais e um meio campo com 3 médios defensivos - Petrovic mais atrás e Battaglia e Gudelj como interiores - a verdade é que as acções com bola desenrolaram-se sobretudo no corredor central, numa espécie de 4-4-2 losango com Bruno Fernandes como "10" e Nani como segundo avançado. Bruno Fernandes e Nani foram os únicos com capacidade de receber a bola em zonas mais ofensivas e apresentam alguns padrões com Gudelj e Petrovic. Nos corredores apenas Acuña aparece com alguma influência combinando com André Pinto e Gudelj.
Ao olharmos para a rede do Arsenal rapidamente percebemos que a posse de bola esteve sobretudo com os Ingleses. O desenho táctico inicial é parecido com o do Sporting, mas com um triângulo invertido - Guendouzi e Elneny atrás de Ramsey e Mkhitaryan, Aubameyang e Wellbeck na frente. Xhaka jogou como lateral esquerdo e não no meio campo como é normal. O jogo interior do Arsenal é facilmente visível na rede com Guendouzi e Ramsey no centro de toda a manobra ofensiva. O corredor esquerdo é bastante mais utilizado do que o direito, com Holding, Xhaka e Guendouzi formando triângulos sucessivos. Os laterais parecem ter a bola em zonas bastante ofensivas e Wellbeck joga sobretudo em posições interiores, ao contrário de Mkhitaryan que joga sobretudo junto à linha.
Hoje apresento pela primeira vez o conceito de expected goals (xG), que hei-de explicar num post futuro. Basicamente é a probabilidade de cada oportunidade ser ou não golo. No gráfico podemos ver que o Sporting até teve mais oportunidades que o Arsenal (15 vs 13) mas as do Arsenal foram bastante mais perigosas, pelo que o resultado acaba por se justificar, apesar do resultado 1-2 poder espelhar melhor o que aconteceu no jogo.










quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Lokomotiv Moscow 1-3 FC Porto: Champions League 2018-2019

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Terceira jornada do grupo D da Liga dos Campeões e o FC Porto tem caminho aberto para os oitavos da prova. É primeiro do grupo com 7 pontos e tem uma segunda volta com 2 jogos em casa (Lokomotiv e Shalke) e a deslocação à Turquia. O FC Porto vai acabar no mínimo com 12 pontos e passa à fase seguinte.
Pela rede de passes é fácil perceber que a equipa portuguesa dominou por completo a posse de bola. De positivo nota-se a vontade de sair a jogar desde Casillas (há linhas entre o Espanhol e os dois centrais) mesmo num jogo fora da Liga dos Campeões e ainda alguma intenção de construir pelo corredor central: Danilo e Óliver foram bastante solicitados pelos centrais e que depois combinam sobretudo com os extremos. O posicionamento de Herrera continua a ser um erro na minha opinião. Um criativo como Óliver seria muito mais útil com a bola no último terço do que o Mexicano. Percebo a ideia de ter mais um homem com capacidade de pressão em zonas mais ofensivas mas depois de recuperar a bola fica a faltar a capacidade de desequilibrar com menos espaço. O desenho da rede é assimétrica e um pouco mais acentuada no corredor direito, com Felipe, Danilo, Maxi e Corona. Creio que o posicionamento mais à direita de Danilo dá vantagem a este corredor pelo peso na equipa do médio defensivo.
A rede dos Russos é quase nula e só não é pior porque baixar o critério do número de passes para definir um padrão para 4. Se não fosse assim, ficavam 4 ou 5 linhas de passe. Nota-se a intenção óbvia de usar o passe longo de Guilherme para Éder com o objectivo de conseguir ter a bola em zonas ofensivas, coisa que aconteceu muito poucas vezes. Manuel Fernandes, como médio, tem uma posição média mais ofensiva do que Éder, um dos dois avançados e é assim, porque teve que descer constantemente para disputar bolas no ar. O corredor direito foi um pouco mais utilizado com combinações entre Ignatyev e Aleksey Miranchuk. Krychowiak, médio defensivo Polaco do Lokomotiv que jogou ontem como central, esteve sempre preocupado em dar linhas de passe na primeira fase de construção e foi o mais utilizado na transição para a zona central onde combinava com os médios, mas sempre a muito custo e com pouco resultado prático. É evidente que o penalty falhado aos 10' podia ter mudado por completo o rumo do jogo, mas a verdade é que após os primeiros 15 minutos o FC Porto dominou o jogo por completo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ajax - SL Benfica


O Benfica pode ter dito adeus aos oitavos de final da Liga dos Campeões deste ano depois de ter perdido, de forma inglória, com o Ajax por 1-0 depois de passar 91 minutos com um resultado que tinha algum  interesse: 0-0.
Não vi o jogo por completo (esta treta de ser preciso assinar 3 canais premium para ver os jogos todos dá nisto...) mas vi o suficiente para perceber que os Holandeses controlaram a posse - porque o Benfica gosta de jogar assim contra equipas de valor igual ou superior - e acabou por ter mais oportunidades de golo que o Benfica. Ainda assim, e sobretudo na primeira parte, o Benfica conseguiu dividir as oportunidades de golo, criando 2 ou 3 situações claras.
Se olharmos para a rede de passes do Benfica é bastante fácil de perceber que a equipa não controlou a posse. Há poucos padrões (mais de 4 passes entre dois jogadores) e o jogo interior é praticamente nulo. Os corredores laterais continuam a ser a predilecção de Rui Vitória e sempre que está Grimaldo e Pizzi desse lado, o corredor esquerdo é o mais interveniente. Sálvio e André Almedia também combinam com alguma frequência mas desta vez com pouca produtividade uma vez que não há linhas de Sálvio para outro colega no ataque. De notar ainda o facto de Rafa participar muito mais em zonas interiores do campo (ver posicionamento médio das suas acções) em contraste com Sálvio que está constantemente agarrado ao corredor para tentar desequilíbrios. Seferovic foi solicitado maioritariamente pelo ar e raramente conseguiu construir a partir daí. Desta vez Odisseas aparece com uma linha para Jardel o que até é estranho uma vez que o Benfica saiu 90% das vezes pelo ar.
É fácil de perceber pela rede do Ajax que foram os Holandeses que dominaram a posse de bola. O jogo interior é claro e perceptível pela grossura das linhas, sobretudo de Daley Blind para Schone e para De Jong. O avançado Holandês titular na noite passes - Kasper Dollberg - esteve bastante fora do envolvimento atacante que é alicerçado sobretudo pelo jogo interior dos extremos - Zyech e Tadic - e dos médios Van de Beek e De Jong. O jogo do Ajax também é assimétrico e desdobra-se muito mais pelo corredor esquerdo. A razão é a mesma que o Benfica, a qualidade dos jogadores nesse corredor é superior: Blind, De Jong e Tadic, combinam muito mais do que De Ligt, Mazraoui e Zyech, apesar do extremo Marroquino participar bastante com combinações interiores.
À terceira jornada, Ajax e Bayern estão na frente com 7 pontos e o Benfica segue atrás com 3. Se tivermos em conta que Holandeses e Alemães vão defrontar o AEK e em princípio ganham e fazem 10 pontos, a qualificação  do Benfica deve estar condenada uma vez que é pouco provável que o Benfica faça 7 pontos na segunda volta...

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Novo artigo no Onde dá a Bola!

Hoje foi dia de escrever no "Onde dá a Bola" sobre as transmissões televisivas em Portugal.
Espero que gostem!

domingo, 14 de outubro de 2018

UEFA Nations League - Polónia 2-3 Portugal

A selecção jogou a segunda jornada do seu grupo na Liga das Nações e tem quase certo o apuramento para a fase final da prova. O jogo foi intenso e com muitos golos e isso podemos agradecer à UEFA e a brilhante ideia de criar uma competição que reduzisse os jogos amigáveis sem interesse. Parece-me quase consensual que os jogos da Liga das Nações têm sido muito mais interessantes (para as equipas e para o público) dos que os jogos amigáveis que costumavam acontecer nas mesmas datas. E têm sido interessantes em todos os grupos da prova. Um Holanda - Alemanha ou um Croácia - Inglaterra são sempre entusiasmantes, mas jogos como Rússia - Turquia ou mesmo um Arménia - Gibraltar começam a ter interessa porque são competitivos. Ontem, por exemplo, Gibraltar conseguiu a sua primeira vitória da história, coisa que dificilmente aconteceria sem esta prova porque os adversários de Gibraltar seriam certamente inacessíveis. Se a tudo isto juntarmos o facto de que cada grupo da prova vai ter 1 acesso ao próxima campeonato da Europa e temos belos jogos, com todos a querer, com reais aspirações, ganhar cada jogo.
Na selecção Portuguesa estamos, paulatinamente e unicamente porque os jogadores são outros, a observar algumas mudanças na forma de jogar da equipa. Não porque Fernando Santos tenha mudado (dificilmente vai mudar) a sua forma de pensar o jogo, mas porque jogar com Bernardo Silva, Rúben Neves ou mesmo Pizzi é totalmente diferente de jogar com Quaresma, Danilo ou Adrien Silva.
Levanta-se agora a questão se isso se deve também ao facto da equipa estar mais solta por não ter a tentação de jogar para Ronaldo. Eu penso que não, penso que jogadores com o estatuto dos internacionais portugueses não sentem esse tipo de pressão e não acho que isso tenha acontecido no passado. Penso mesmo que é perfeitamente possível jogar da mesma forma (dominando a posse para desequilibrar o adversário) com Ronaldo no onze (no lugar de Rafa ou de André Silva, dependendo das circunstâncias. Assim o queria o seleccionador nacional...
Se analisarmos a rede de passes da equipa portuguesa é bastante evidente a interligação entre Cancelo, Pizzi e Bernardo Silva no corredor central e direito. A juntar a este grupo é clara a evidência da importância de Rúben Neves no onze nacional. O jogo passa quase sempre pelo jovem que joga em Inglaterra (no Wolverhampton) e isso vê.-se bem na imagem. Mário Rui também fez um boa exibição e foi responsável por quase todas as saídas pelo corredor esquerdo combinando bem com William no corredor central. Faltou alguma integração de Rafa nestes movimentos. Rafa estava sempre e apenas preparado para atacar as costas da última linha e isso deve-se à vontade do treinador que quer sempre um jogador rápido nessa função (lembro que Rafa não estava convocado e substituí Gonçalo Guedes nessa posição).
Não posso deixar de realçar o que Rúben Dias trás às equipa ofensivamente. Vejam-se as diferenças até para Pepe que tem sido sempre o melhor central a construir. O jovem central trás qualidade com bola que mais nenhum central português tem. Vamos ver se há coragem para o manter no onze de agora em diante.
Em relação ao posicionamento, Cancelo (2 remates e 1 passe para finalização) foi sempre mais ofensivo que o colega do corredor contrário e isso deveu-se sobretudo ao triângulo já referido que puxou o lateral para zonas mais adiantadas do terreno.
Veremos o que muda quando os de sempre (Moutinho, Cédric, Adrien, Fonte ou mesmo Quaresma) tiverem que regressar ao onze.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

SL Benfica - FC Porto 2018-2019: O clássico mais fraco dos últimos 10 anos

O Benfica ganhou e a vitória acaba por ter algum mérito porque no meio de tanta mediocridade foi a única equipa que lutou pelos três pontos. Não jogou bem (há muito tempo que não joga) mas lutou, pressionou e quis sempre ter a bola. O FC Porto foi uma sombra da equipa que ganhou o último campeonato. Sem a frescura física que necessita para potenciar o seu jogo baseado em contacto físico e em velocidade na frente, a equipa de Sérgio Conceição é banal.
O que vou apresentar chama-se normalmente rede de passes (passing network) e mostra o posicionamento médio dos jogadores e as interacções entre si usando o passe. O posicionamento dos jogadores é a posição média de cada um em todos os eventos que os jogadores participaram (passe, remate, desarme, intercepção, perda de bola, etc.). Não é a posição média dos jogadores nos 90 minutos (com e sem bola) é a média das posições quando cada jogador interage com a bola. As setas são os passes efectuados por cada jogador com a indicação do jogador destino. Só mostro linhas com mais de 3 passes porque facilita a compreensão e realça os padrões que são seguidos mais vezes. A grossura da linha representa o número de vezes que essa ligação ocorreu (o número que está em cada linha quantifica esse valor).

SL Benfica:

A primeira coisa que salta à vista é a falta de linhas no corredor central. Dos centrais para os médios há poucas linhas (sobretudo para Gabriel e Fejsa) e destes para o trio atacante são praticamente inexistentes. Isto deve-se ao modelo de jogo de Rui Vitória, que privilegia as combinações nos corredores laterais e raramente opta por desorganizar o adversário em combinações pelo corredor central. É por isso que Sálvio é tão importante para Rui Vitória, porque é forte no um para um no corredor, apesar de ser bastante limitado em espaços curtos e com muitos jogadores.
É evidente também a preferência pelo corredor esquerdo. Isto deve-se na minha opinião à presença de Grimaldo que com bola é fortíssimo no corredor lateral. O facto de Pizzi ter jogado desta vez descaído na esquerda (e Gabriel na direita) também ajuda a explicar esta assimetria.
O corredor direito do Benfica serviu apenas para defender e Sálvio esteve completamente desligado do jogo ofensivo, participando em algumas situações defensivas (quando Maxi e Brahimi combinavam) na ajuda a André Almeida.
Para o ataque, foi sempre Pizzi (ou André Almeida por 4 vezes) que solicitou Seferovic. No único golo do jogo foi isso mesmo que aconteceu com uma assistência de cabeça brilhante do médio português.

FC Porto:
Se no Benfica o desenho é assimétrico, no FC Porto o desenho é quase inexistente. Foi dos jogos mais fracos que vi fazer ao Porto nos últimos anos e já expliquei em parte porque é que acho que isso aconteceu. A equipa de Conceição tem que estar bem fisicamente para jogar o jogo de contactos permanentes, de luta, do físico que o treinador imprime nas suas equipas. Sem isso, fica sem nada...
Salta à vista uma alteração táctica que ficou bastante à mostra durante o jogo que foi o facto de ser Octávio a baixar para receber no corredor central e Herrera a ficar mais próxima de Soares. Esta alteração tinha dois objectivos, abusar no passe longo de Octávio para Marega e Soares e usar a pressão de Herrera mais à frente uma vez que o Mexicano, quando está bem fisicamente, consegue pressionar alto e recuperar metros caso seja ultrapassado na primeira fase de construção do adversário. O resultado foi o que já vimos: zero posse, zero controlo, muito choque mas o Benfica a ganhar quase sempre as segundas bolas.
Apesar de tudo, Casillas sempre tentou sair a jogar pelo chão (por ambos os centrais) e não se vê grande tendência no jogo directo na frente. Nem tudo foi péssimo...

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O regresso...


Estou de volta ao blog depois de uma ausência de mais de 3 anos. Aconteceu muita coisa neste período de tempo, mas o meu amor por Rui Vitória continua. Sim, é verdade, desde o primeiro dia que tenho a convicção que ainda não é treinador para um clube grande. E disse-o quando começou mal, mas continuei a dizê-lo quando ganhou o primeiro campeonato e o segundo... Agora é fácil e a maioria dos adeptos concordam, mas não foi sempre assim. Lembrei-me disto porque o último post que tinha escrito aqui foi sobre esse tema e esse tema foi bastante frequente por essa altura.
Mas não foi para bater no ceguinho que voltei, voltei porque quero apresentar umas ideias (não minhas, que eu não tenho capacidade para inventar coisas) sobre análise de performance no futebol. Fica já o disclaimer, para quando for a tribunal: os dados que uso nas análises a publicar são da Opta e estão, mais clique menos clique, disponíveis na internet. O resto é tratamento de dados.
Espero que gostem!

domingo, 23 de agosto de 2015

Breves do Benfica 2015-2016


Hoje é mesmo muito breve...
Na organização defensiva, nada de novo...


Na organização ofensiva, mais do mesmo. 56 cruzamentos!!! Depois o argumento de quem não faz ideia do que se passa no campo... falhámos na finalização. Pudera!