domingo, 4 de novembro de 2018

SL Benfica 1-3 Moreirense: a tragédia continua


Mais uma jornada e mais um desastre para a equipa da Luz. Desta vez foi o Moreirense que ganhou pela primeira vez ao Benfica e logo em casa! O homem dos recordes, que ainda há dias puxava dos galões, dizendo que era o melhor treinador do Benfica na Liga dos Campeões em termos de rácio vitórias/jogo (e que o Zerozero veio depois informar que era mentira!), voltou a bater recordes, é o primeiro a perder com o Moreirense.

O Benfica a jogar em casa obviamente que dominou a posse, a rede de passes é muito clara. O corredor onde actua Pizzi mais uma vez a ser o mais utilizado (lembro que Pizzi saiu ao intervalo!!!) com combinações entre Jardel, Grimaldo, Pizzi e João Félix. Rafa teve menos bola do que seria suposto apesar de ter sido o mais perigoso da equipa. André Almeida foi substituído e por isso também tem menos linhas de passe. Jonas muito mais interventivo do que Seferovic nos últimos jogos. O jogo do Benfica continua a desenrolar-se sobretudo nos corredores laterais o que impede os encarnados de desequilibrarem mais facilmente os adversários em ataque organizado.
O Moreirense teve menos bola como seria de esperar, mas desengane-se quem pensa que se limita a jogar em contra-ataque ou usando apenas jogo directo. Sempre que os de Moreira de Cónegos conseguiram ter a bola foram sempre organizados, com a bola no chão (desde o guarda-redes como mostra a rede de passes) e com capacidade para chegar ao último terço com a bola. É verdade que os golos foram eminentemente na transição ofensiva, mas isso não implica que não tenha sido uma equipa organizada a defender e a atacar. Chiquinho (emprestado pelo Benfica) foi o melhor do Moreirense, para além do primeiro golo ainda foi sempre o primeiro organizador e dele saíram quase todas as jogadas de perigo. Destaque para Arsénio que fez as 3 assistências e foi sempre opção nas transições. Loum fez mais um jogo muito interessante e é um dos valores a ter em conta nesta equipa para dar o salto.
O resultado pode não ter sido o mais justo uma vez que o Benfica acabou por ter muito mais oportunidades de golo que os visitantes, mas mais uma vez há várias coisas que devem preocupar o treinador do Benfica. Ao intervalo (o resultado já era 1-3) o Benfica tinha 1.7 xG e o Moreirense tinha 1.02. Isto deve preocupar muito os responsáveis do clube encarnado que não podem achar normal que uma equipa que luta pela manutenção divida a primeira parte de um jogo no estádio da Luz. O Moreirense teve alguma sorte nos golos (sobretudo o terceiro, que matou o jogo) mas ainda assim não se poder deixar de perceber que o Benfica continua a permitir demasiadas oportunidades a todos os adversários. Muito preocupante!

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Belenenses 2-0 SL Benfica

Primeira derrota do Benfica na presente época e mais uma prova de que nem sempre quem cria mais marca mais. É a beleza do futebol. Não vi um único minuto do jogo e por isso o que aqui escrevo é baseado nos dados (rede de passes e xG).
A rede de passes mostra que Odisseas desta vez tentou jogar pelo chão algumas vezes, ou pelo menos mais vezes do que tem sido habitual. Os corredores laterais continuam a ser as zonas preferenciais mas desta vez é o corredor direito o mais usado. Se olharmos para o posicionamento médio de Pizzi, facilmente se percebe porquê. O português é sempre o principal motor da equipa e onde ele está, há sempre mais combinações. Reparem que Pizzi consegue criar padrões com ambos os laterais, o que mostra a influencia e a capacidade que este tem de ocupar todo o terreno do médio benfiquista. Pizzi saiu aos 68' o que é estranho a não ser que estivesse lesionado. Sálvio continua a ser uma ilha na organização ofensiva do Benfica, combina apenas com André Almeida e quase sempre agarrado à linha (saiu ao intervalo, o que só demonstra inteligência).
O Belenenses teve pouca bola (esta rede é apenas para mais do que 3 passes, ao contrário do Benfica cuja rede tem apenas linhas com mais do que 5 passe) e a equipa esteve constantemente em organização defensiva em bloco baixo, aproveitando o contra-ataque para desequilibrar o adversário. Ainda assim Muriel tentou quase sempre jogar pelo chão e tem linhas para ambos os centrais. Não é fácil perceber o desenho táctico da equipa porque os extremos estão muito atrás e misturam-se com os laterais.Zacarya e Licá são os extremos de um 4-3-3 com um meio campo com André Santos, Eduardo e Lucca.
Com o gráfico de golos esperados (xG) facilmente se percebe o que disse no início do post, o Benfica criou muito mais do que o Belenense e podia de facto ter ganho o jogo, conforme se desculpou Rui Vitória. O que não deve permitir é que um adversário de muito menos valia, que luta para não descer, tenha mais do que 2 xG. Não é normal uma equipa criar o suficiente para marcar 4 golos não marcar nenhum, mas pode acontecer e aconteceu. Mas isso não esconde as fragilidades da equipa na transição defensiva e também não esconde a dificuldade que Rui Vitória tem em mexer na equipa sempre que as dificuldades aparecem. Não me parece sensato terminar o jogo com 3 pontas de lança e sem médios com capacidade de criar. Lembro que o Benfica terminou com Jonas, Seferovic e Castillo e ainda 2 extremos - Rafa e Zivkovic - e apenas Gédson no meio campo... não faz sentido.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

UEFA Europa League: Sporting CP 1-3 Arsenal FC


À terceira jornada o Sporting perdeu na Liga Europa. Não é uma derrota humilhantes, mesmo sendo em casa, uma vez que jogou contra um dos "big 6" da Premier League - o Arsenal. Não é necessário falar em nomes para se perceber que se trata de uma das equipas do mundo com mais qualidade individual no seu plantel. Aviso prévio: não vi um minuto do jogo e tudo o que eu disser é apenas baseado nos dados.
Analisando a rede de passes é fácil de perceber que a estratégia de José Peseiro não incluía controlar a posse de bola. Aparentemente a ideia seria baixar o bloco, dar a bola ao adversário e tentar ferir o adversário nas transições ofensivas aproveitando o espaço nas costas do Arsenal. Apesar do desenho táctico inicial mostrar o normal 4-3-3, com Nani e Bruno Fernandes nos corredores laterais e um meio campo com 3 médios defensivos - Petrovic mais atrás e Battaglia e Gudelj como interiores - a verdade é que as acções com bola desenrolaram-se sobretudo no corredor central, numa espécie de 4-4-2 losango com Bruno Fernandes como "10" e Nani como segundo avançado. Bruno Fernandes e Nani foram os únicos com capacidade de receber a bola em zonas mais ofensivas e apresentam alguns padrões com Gudelj e Petrovic. Nos corredores apenas Acuña aparece com alguma influência combinando com André Pinto e Gudelj.
Ao olharmos para a rede do Arsenal rapidamente percebemos que a posse de bola esteve sobretudo com os Ingleses. O desenho táctico inicial é parecido com o do Sporting, mas com um triângulo invertido - Guendouzi e Elneny atrás de Ramsey e Mkhitaryan, Aubameyang e Wellbeck na frente. Xhaka jogou como lateral esquerdo e não no meio campo como é normal. O jogo interior do Arsenal é facilmente visível na rede com Guendouzi e Ramsey no centro de toda a manobra ofensiva. O corredor esquerdo é bastante mais utilizado do que o direito, com Holding, Xhaka e Guendouzi formando triângulos sucessivos. Os laterais parecem ter a bola em zonas bastante ofensivas e Wellbeck joga sobretudo em posições interiores, ao contrário de Mkhitaryan que joga sobretudo junto à linha.
Hoje apresento pela primeira vez o conceito de expected goals (xG), que hei-de explicar num post futuro. Basicamente é a probabilidade de cada oportunidade ser ou não golo. No gráfico podemos ver que o Sporting até teve mais oportunidades que o Arsenal (15 vs 13) mas as do Arsenal foram bastante mais perigosas, pelo que o resultado acaba por se justificar, apesar do resultado 1-2 poder espelhar melhor o que aconteceu no jogo.










quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Lokomotiv Moscow 1-3 FC Porto: Champions League 2018-2019

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Terceira jornada do grupo D da Liga dos Campeões e o FC Porto tem caminho aberto para os oitavos da prova. É primeiro do grupo com 7 pontos e tem uma segunda volta com 2 jogos em casa (Lokomotiv e Shalke) e a deslocação à Turquia. O FC Porto vai acabar no mínimo com 12 pontos e passa à fase seguinte.
Pela rede de passes é fácil perceber que a equipa portuguesa dominou por completo a posse de bola. De positivo nota-se a vontade de sair a jogar desde Casillas (há linhas entre o Espanhol e os dois centrais) mesmo num jogo fora da Liga dos Campeões e ainda alguma intenção de construir pelo corredor central: Danilo e Óliver foram bastante solicitados pelos centrais e que depois combinam sobretudo com os extremos. O posicionamento de Herrera continua a ser um erro na minha opinião. Um criativo como Óliver seria muito mais útil com a bola no último terço do que o Mexicano. Percebo a ideia de ter mais um homem com capacidade de pressão em zonas mais ofensivas mas depois de recuperar a bola fica a faltar a capacidade de desequilibrar com menos espaço. O desenho da rede é assimétrica e um pouco mais acentuada no corredor direito, com Felipe, Danilo, Maxi e Corona. Creio que o posicionamento mais à direita de Danilo dá vantagem a este corredor pelo peso na equipa do médio defensivo.
A rede dos Russos é quase nula e só não é pior porque baixar o critério do número de passes para definir um padrão para 4. Se não fosse assim, ficavam 4 ou 5 linhas de passe. Nota-se a intenção óbvia de usar o passe longo de Guilherme para Éder com o objectivo de conseguir ter a bola em zonas ofensivas, coisa que aconteceu muito poucas vezes. Manuel Fernandes, como médio, tem uma posição média mais ofensiva do que Éder, um dos dois avançados e é assim, porque teve que descer constantemente para disputar bolas no ar. O corredor direito foi um pouco mais utilizado com combinações entre Ignatyev e Aleksey Miranchuk. Krychowiak, médio defensivo Polaco do Lokomotiv que jogou ontem como central, esteve sempre preocupado em dar linhas de passe na primeira fase de construção e foi o mais utilizado na transição para a zona central onde combinava com os médios, mas sempre a muito custo e com pouco resultado prático. É evidente que o penalty falhado aos 10' podia ter mudado por completo o rumo do jogo, mas a verdade é que após os primeiros 15 minutos o FC Porto dominou o jogo por completo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ajax - SL Benfica


O Benfica pode ter dito adeus aos oitavos de final da Liga dos Campeões deste ano depois de ter perdido, de forma inglória, com o Ajax por 1-0 depois de passar 91 minutos com um resultado que tinha algum  interesse: 0-0.
Não vi o jogo por completo (esta treta de ser preciso assinar 3 canais premium para ver os jogos todos dá nisto...) mas vi o suficiente para perceber que os Holandeses controlaram a posse - porque o Benfica gosta de jogar assim contra equipas de valor igual ou superior - e acabou por ter mais oportunidades de golo que o Benfica. Ainda assim, e sobretudo na primeira parte, o Benfica conseguiu dividir as oportunidades de golo, criando 2 ou 3 situações claras.
Se olharmos para a rede de passes do Benfica é bastante fácil de perceber que a equipa não controlou a posse. Há poucos padrões (mais de 4 passes entre dois jogadores) e o jogo interior é praticamente nulo. Os corredores laterais continuam a ser a predilecção de Rui Vitória e sempre que está Grimaldo e Pizzi desse lado, o corredor esquerdo é o mais interveniente. Sálvio e André Almedia também combinam com alguma frequência mas desta vez com pouca produtividade uma vez que não há linhas de Sálvio para outro colega no ataque. De notar ainda o facto de Rafa participar muito mais em zonas interiores do campo (ver posicionamento médio das suas acções) em contraste com Sálvio que está constantemente agarrado ao corredor para tentar desequilíbrios. Seferovic foi solicitado maioritariamente pelo ar e raramente conseguiu construir a partir daí. Desta vez Odisseas aparece com uma linha para Jardel o que até é estranho uma vez que o Benfica saiu 90% das vezes pelo ar.
É fácil de perceber pela rede do Ajax que foram os Holandeses que dominaram a posse de bola. O jogo interior é claro e perceptível pela grossura das linhas, sobretudo de Daley Blind para Schone e para De Jong. O avançado Holandês titular na noite passes - Kasper Dollberg - esteve bastante fora do envolvimento atacante que é alicerçado sobretudo pelo jogo interior dos extremos - Zyech e Tadic - e dos médios Van de Beek e De Jong. O jogo do Ajax também é assimétrico e desdobra-se muito mais pelo corredor esquerdo. A razão é a mesma que o Benfica, a qualidade dos jogadores nesse corredor é superior: Blind, De Jong e Tadic, combinam muito mais do que De Ligt, Mazraoui e Zyech, apesar do extremo Marroquino participar bastante com combinações interiores.
À terceira jornada, Ajax e Bayern estão na frente com 7 pontos e o Benfica segue atrás com 3. Se tivermos em conta que Holandeses e Alemães vão defrontar o AEK e em princípio ganham e fazem 10 pontos, a qualificação  do Benfica deve estar condenada uma vez que é pouco provável que o Benfica faça 7 pontos na segunda volta...

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Novo artigo no Onde dá a Bola!

Hoje foi dia de escrever no "Onde dá a Bola" sobre as transmissões televisivas em Portugal.
Espero que gostem!

domingo, 14 de outubro de 2018

UEFA Nations League - Polónia 2-3 Portugal

A selecção jogou a segunda jornada do seu grupo na Liga das Nações e tem quase certo o apuramento para a fase final da prova. O jogo foi intenso e com muitos golos e isso podemos agradecer à UEFA e a brilhante ideia de criar uma competição que reduzisse os jogos amigáveis sem interesse. Parece-me quase consensual que os jogos da Liga das Nações têm sido muito mais interessantes (para as equipas e para o público) dos que os jogos amigáveis que costumavam acontecer nas mesmas datas. E têm sido interessantes em todos os grupos da prova. Um Holanda - Alemanha ou um Croácia - Inglaterra são sempre entusiasmantes, mas jogos como Rússia - Turquia ou mesmo um Arménia - Gibraltar começam a ter interessa porque são competitivos. Ontem, por exemplo, Gibraltar conseguiu a sua primeira vitória da história, coisa que dificilmente aconteceria sem esta prova porque os adversários de Gibraltar seriam certamente inacessíveis. Se a tudo isto juntarmos o facto de que cada grupo da prova vai ter 1 acesso ao próxima campeonato da Europa e temos belos jogos, com todos a querer, com reais aspirações, ganhar cada jogo.
Na selecção Portuguesa estamos, paulatinamente e unicamente porque os jogadores são outros, a observar algumas mudanças na forma de jogar da equipa. Não porque Fernando Santos tenha mudado (dificilmente vai mudar) a sua forma de pensar o jogo, mas porque jogar com Bernardo Silva, Rúben Neves ou mesmo Pizzi é totalmente diferente de jogar com Quaresma, Danilo ou Adrien Silva.
Levanta-se agora a questão se isso se deve também ao facto da equipa estar mais solta por não ter a tentação de jogar para Ronaldo. Eu penso que não, penso que jogadores com o estatuto dos internacionais portugueses não sentem esse tipo de pressão e não acho que isso tenha acontecido no passado. Penso mesmo que é perfeitamente possível jogar da mesma forma (dominando a posse para desequilibrar o adversário) com Ronaldo no onze (no lugar de Rafa ou de André Silva, dependendo das circunstâncias. Assim o queria o seleccionador nacional...
Se analisarmos a rede de passes da equipa portuguesa é bastante evidente a interligação entre Cancelo, Pizzi e Bernardo Silva no corredor central e direito. A juntar a este grupo é clara a evidência da importância de Rúben Neves no onze nacional. O jogo passa quase sempre pelo jovem que joga em Inglaterra (no Wolverhampton) e isso vê.-se bem na imagem. Mário Rui também fez um boa exibição e foi responsável por quase todas as saídas pelo corredor esquerdo combinando bem com William no corredor central. Faltou alguma integração de Rafa nestes movimentos. Rafa estava sempre e apenas preparado para atacar as costas da última linha e isso deve-se à vontade do treinador que quer sempre um jogador rápido nessa função (lembro que Rafa não estava convocado e substituí Gonçalo Guedes nessa posição).
Não posso deixar de realçar o que Rúben Dias trás às equipa ofensivamente. Vejam-se as diferenças até para Pepe que tem sido sempre o melhor central a construir. O jovem central trás qualidade com bola que mais nenhum central português tem. Vamos ver se há coragem para o manter no onze de agora em diante.
Em relação ao posicionamento, Cancelo (2 remates e 1 passe para finalização) foi sempre mais ofensivo que o colega do corredor contrário e isso deveu-se sobretudo ao triângulo já referido que puxou o lateral para zonas mais adiantadas do terreno.
Veremos o que muda quando os de sempre (Moutinho, Cédric, Adrien, Fonte ou mesmo Quaresma) tiverem que regressar ao onze.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

SL Benfica - FC Porto 2018-2019: O clássico mais fraco dos últimos 10 anos

O Benfica ganhou e a vitória acaba por ter algum mérito porque no meio de tanta mediocridade foi a única equipa que lutou pelos três pontos. Não jogou bem (há muito tempo que não joga) mas lutou, pressionou e quis sempre ter a bola. O FC Porto foi uma sombra da equipa que ganhou o último campeonato. Sem a frescura física que necessita para potenciar o seu jogo baseado em contacto físico e em velocidade na frente, a equipa de Sérgio Conceição é banal.
O que vou apresentar chama-se normalmente rede de passes (passing network) e mostra o posicionamento médio dos jogadores e as interacções entre si usando o passe. O posicionamento dos jogadores é a posição média de cada um em todos os eventos que os jogadores participaram (passe, remate, desarme, intercepção, perda de bola, etc.). Não é a posição média dos jogadores nos 90 minutos (com e sem bola) é a média das posições quando cada jogador interage com a bola. As setas são os passes efectuados por cada jogador com a indicação do jogador destino. Só mostro linhas com mais de 3 passes porque facilita a compreensão e realça os padrões que são seguidos mais vezes. A grossura da linha representa o número de vezes que essa ligação ocorreu (o número que está em cada linha quantifica esse valor).

SL Benfica:

A primeira coisa que salta à vista é a falta de linhas no corredor central. Dos centrais para os médios há poucas linhas (sobretudo para Gabriel e Fejsa) e destes para o trio atacante são praticamente inexistentes. Isto deve-se ao modelo de jogo de Rui Vitória, que privilegia as combinações nos corredores laterais e raramente opta por desorganizar o adversário em combinações pelo corredor central. É por isso que Sálvio é tão importante para Rui Vitória, porque é forte no um para um no corredor, apesar de ser bastante limitado em espaços curtos e com muitos jogadores.
É evidente também a preferência pelo corredor esquerdo. Isto deve-se na minha opinião à presença de Grimaldo que com bola é fortíssimo no corredor lateral. O facto de Pizzi ter jogado desta vez descaído na esquerda (e Gabriel na direita) também ajuda a explicar esta assimetria.
O corredor direito do Benfica serviu apenas para defender e Sálvio esteve completamente desligado do jogo ofensivo, participando em algumas situações defensivas (quando Maxi e Brahimi combinavam) na ajuda a André Almeida.
Para o ataque, foi sempre Pizzi (ou André Almeida por 4 vezes) que solicitou Seferovic. No único golo do jogo foi isso mesmo que aconteceu com uma assistência de cabeça brilhante do médio português.

FC Porto:
Se no Benfica o desenho é assimétrico, no FC Porto o desenho é quase inexistente. Foi dos jogos mais fracos que vi fazer ao Porto nos últimos anos e já expliquei em parte porque é que acho que isso aconteceu. A equipa de Conceição tem que estar bem fisicamente para jogar o jogo de contactos permanentes, de luta, do físico que o treinador imprime nas suas equipas. Sem isso, fica sem nada...
Salta à vista uma alteração táctica que ficou bastante à mostra durante o jogo que foi o facto de ser Octávio a baixar para receber no corredor central e Herrera a ficar mais próxima de Soares. Esta alteração tinha dois objectivos, abusar no passe longo de Octávio para Marega e Soares e usar a pressão de Herrera mais à frente uma vez que o Mexicano, quando está bem fisicamente, consegue pressionar alto e recuperar metros caso seja ultrapassado na primeira fase de construção do adversário. O resultado foi o que já vimos: zero posse, zero controlo, muito choque mas o Benfica a ganhar quase sempre as segundas bolas.
Apesar de tudo, Casillas sempre tentou sair a jogar pelo chão (por ambos os centrais) e não se vê grande tendência no jogo directo na frente. Nem tudo foi péssimo...

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O regresso...


Estou de volta ao blog depois de uma ausência de mais de 3 anos. Aconteceu muita coisa neste período de tempo, mas o meu amor por Rui Vitória continua. Sim, é verdade, desde o primeiro dia que tenho a convicção que ainda não é treinador para um clube grande. E disse-o quando começou mal, mas continuei a dizê-lo quando ganhou o primeiro campeonato e o segundo... Agora é fácil e a maioria dos adeptos concordam, mas não foi sempre assim. Lembrei-me disto porque o último post que tinha escrito aqui foi sobre esse tema e esse tema foi bastante frequente por essa altura.
Mas não foi para bater no ceguinho que voltei, voltei porque quero apresentar umas ideias (não minhas, que eu não tenho capacidade para inventar coisas) sobre análise de performance no futebol. Fica já o disclaimer, para quando for a tribunal: os dados que uso nas análises a publicar são da Opta e estão, mais clique menos clique, disponíveis na internet. O resto é tratamento de dados.
Espero que gostem!

domingo, 23 de agosto de 2015

Breves do Benfica 2015-2016


Hoje é mesmo muito breve...
Na organização defensiva, nada de novo...


Na organização ofensiva, mais do mesmo. 56 cruzamentos!!! Depois o argumento de quem não faz ideia do que se passa no campo... falhámos na finalização. Pudera!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Primeira impressão do Benfica de Vitória


O Benfica ganhou 4-0, mas o resultado não podia ser mais enganador. O jogar do Benfica foi o mesmo que vimos na final da supertaça, o que mudou foi o adversário e a qualidade individual (e colectiva) que o Estoril não possui.

Organização defensiva débil, pouco cuidada e a permitir espaço ao adversário em demasiadas circunstâncias para uma equipa que estava habituada a controlar os adversários de uma forma extremamente cuidada e ao detalhe. Desta vez decido dar ênfase à falta de preocupação que a equipa demonstra (e com isto o treinador, uma vez que ele que decide trabalhar ou não todos estes detalhes) no controlo do espaço à frontal à baliza (um dos mais importantes na organização defensiva). A dinâmica dos dois médios que o Benfica continua a tentar impor simplesmente desapareceu. O jogo de coberturas esfumou-se e quem paga é a linha defensiva, que acaba exposta muito mais vezes do que no passado.


Em relação à organização ofensiva, neste jogo a saída desde o guarda-redes foi muito facilitada pelo facto de o adversário abdicar de pressionar essa saída. Os dois centrais saíram sempre com bola facilmente e até a ajuda de Fejsa foi poucas vezes solicitada. No entanto os problemas começam logo a seguir a esse momento. Depois da bola controladas pelos centrais (ou Fejsa) as opções de passe para progressão desaparecem. Pizzi dá sempre a cara mas é só um e isso facilita o trabalho do adversário. Gaitán a espaços fechou no corredor central para ser essa solução e conseguiu resolver alguns problemas, mas nem sempre o fez. Resta saber se isso passa pela ideia do treinador ou se são "bons vícios" do passado. Ola John nunca conseguiu perceber que era preciso fazer o mesmo que o colega do flanco oposto para aumentar as linhas de passe ao portador e foi simplesmente nulo neste momento (será por ter menos rotina do ano anterior?). Jonas em 3 ou 4 lances foi a solução encontrada, chegando a pisar zonas antes do meio campo para que a equipa conseguisse progredir com bola até zonas de criação.


Com poucas oportunidades de continuar as jogadas pelo corredor central, o caminho são sempre os corredores laterais. Os extremos (e em poucas situações os laterais) são quem acaba por ter de carregar o peso das decisões no ataque, quase exclusivamente recorrendo a cruzamentos para a área.


Resumindo, jogo muito pouco conseguido pela equipa do Benfica em todos os momentos do jogo. O resultado, relembro foi de 4-0. E refiro isto novamente para que se perceba que seria fácil nesta altura dizer que a equipa está a crescer e que o futuro é risonho. Não me parece que seja... O primeiro nasce de um cruzamento, o segundo de penalty após remate sem nexo a 30 metros da baliza e o terceiro de cruzamento. O último golo foi diferente e foi a única vez em que vi uma combinação entre jogadores do Benfica no ataque. Aconteceu aos 89' quando o Estoril já não era equipa.

Uma palavra para a utilização de jogadores da "formação". Nelson Semedo é um jogador com potencial mas fez até agora dois jogos banais, com muitos erros e duas ou três arrancadas promissoras. Vítor Andrade e Gonçalo Guedes foram opção porque o plantel é débil nessa posição (Gaitán e Ola John são as únicas opções neste momento) e não porque tenham feito algo para o merecer mais do que em outras épocas.

domingo, 16 de agosto de 2015

Primeira impressão do Porto de Lopetegui


O Porto tem esta época a vantagem óbvia de ser o único dos três que mantém a sua estrutura técnica (e com isso o seu modelo). Se juntarmos a isso a maior qualidade individual que o seu plantel continua a demonstrar, é fácil de classificar o FC Porto como o principal candidato ao título. É verdade que saíram nomes importantes da equipa titular como Danilo, Casemiro, Óliver e Jackson, mas entraram para os seus lugares Maxi, Danilo Pereira, Imbula e Osvaldo. A somar a isto, melhorou na baliza com Casillas e na frente com a saída de Quaresma e as entradas de Varela, Bueno ou André André.

À primeira vista a ideia de jogo é a mesma, sem grande evolução e com os mesmo problemas do passado. Defensivamente, continuam as dificuldades a controlar a profundidade quando a equipa quer encurtar o espaço ao adversário e há transição defensiva. Da equipa do ano passado apenas Maxi é novo. Estes detalhes deviam estar afinadíssimos na equipa do Porto...


Ofensivamente, o jogo do Porto continua a desenrolar-se exclusivamente nos corredores laterais, onde ocorrem todos os desequilíbrios. As opções de passe ao portador contínua a ser as mesmas, sem nunca ser explorada a possibilidade da equipa usar o corredor central para desequilibrar o bloco adversário. Em jogos em campos mais difíceis e com equipas com blocos mais compactos, as dificuldades vão voltar...


É claramente a equipa favorita à vitória final. No entanto continua a permitir que uma equipa individualmente mais fraca, mas com ideias bem definidas, possa intrometer-se nessa luta.

sábado, 15 de agosto de 2015

Primeira impressão do Sporting de Jesus


As ideias começam a aparecer e o tempo de trabalho ainda não é muito. Há diferenças para anos anteriores da equipa de Jesus, por causa do pouco tempo de trabalho, mas sobretudo porque os intérpretes da suas ideia são outros e isso pode mudar tudo.
Em termos defensivos, a coordenação da linha defensiva continua a crescer mas ainda há dificuldades. Mesmo contra uma equipa que causou poucos problemas.


Ofensivamente, onde os processos são ainda mais dependentes de quem os executa, falta ainda muito trabalho no jogo interior e na criação de várias linhas de passe ao portador. O cruzamento ainda é a arma mais utilizada pela equipa. O facto de na frente estar Slimani vai sempre dar a ideia de que é a melhor solução...



No entanto, a equipa continua a crescer a um ritmo que espanta qualquer um. Todos os jogadores são neste momento melhores aos olhos de toda a gente. Tudo isto por uma simples razão. O Sporting contratou um treinador com um modelo de jogo, com as suas ideias, e que sabe como as operacionalizar.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Breves sobre o novo Benfica


Que vimos um Benfica muito diferente da época passada (mudaram 4 jogadores, é um facto) já toda a sabe. O que muitos não sabem e vão continuar sem perceber são os motivos dessas diferenças. Bem sei que custa a muita gente que nunca entendeu a grandeza do trabalho de Jesus, mas a verdade é que o que fez sempre toda a diferença foi o trabalho (criação e operacionalização de uma ideia de jogo) do treinador que agora lidera em Alvalade.
Foi uma era marcante na história do Benfica e só se dará reconhecimento unânime daqui a alguns anos. E foi sobretudo porque Jesus treino no pormenor, no detalhe. Conhece o jogo como poucos e consegue operacionalizar as suas ideias (ao pormenor, não me canso de dizer) como muito poucos no mundo!
Defensivamente as diferenças, em 5 semanas de "trabalho", estão à vista. Em quase todos os momentos do jogo, mas mais visíveis aqui na linha defensiva.


Ofensivamente, o trabalho de constante criação de várias linhas de passe ao portador simplesmente desapareceu. Com isto, os que melhor entendem o jogo, começam a ter um caminho único. Às vezes chega para resolver os problemas, mas com o acumular de minutos, só o colectivo pode ser o caminho.


A única coisa positiva que retiro do jogo do Benfica é que individualmente continua mais forte que 95% das equipas. Essa é única razão pela qual o Benfica pode continuar a sonhar com títulos.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O FC Porto pode começar a encomendar as faixas...

Vítor Pereira tem acordo por dois anos com o Fenerbahçe

O FC Porto parte para a próxima época como claro favorito à conquista do título. Porque mantém grande parte do melhor plantel do campeonato (claramente!), mas sobretudo porque mantém a estrutura técnica e a sua ideia de jogo (que tem defeitos, mas que tem bastante qualidade).
A única ideia que poderia dar a volta a esta inevitebilidade foi, ao que parece, comprada pelos Turcos...
http://www.maisfutebol.iol.pt/transferencias/internacional/vitor-pereira-dois-anos-no-fenerbahce
É pena, Portugal (e o Benfica) merecia esta qualidade no banco.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Opções credíveis para continuar um trabalho de qualidade.


Parece confirmada a saída de Jorge Jesus do Benfica.
A tarefa de o substituir é ingrata, tal foi a qualidade que este deixou na equipa encarnada. Das opções possíveis (sobretudo financeiramente) só encontro duas que possam fazer esquecer os últimos anos.
Bem sei que ambos têm anticorpos junto dos adeptos do clube, mas a direcção do Benfica tem que ser imune a essas coisas e decidir de acordo com o que for melhor para o clube. O que deve estar em cima da mesa é a competência técnica do treinador e não a sua preferência clubística ou as suas decisões enquanto profissional de futebol.
Estas seríam as minhas escolhas (Vitor Pereira à cabeça). É preciso coragem nestes momentos. Que não falte à direcção do Benfica, para que o futuro do clube esteja assegurado.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O blogue está de luto...


A confirmarem-se as notícias da mudança de treinador no Benfica, é possivelmente o pior acto de gestão de Luís Filipe Vieira e o princípio do fim do seu estado de graça no clube.
Ainda não consigo acreditar que se possa perder o melhor treinador dos últimos 30 anos (pelo menos!) por questões financeiras.

É um dia negro para o futebol do Benfica. O blogue estava inactivo há alguns meses, mas neste momento está de luto...

sábado, 19 de julho de 2014

Sami e como uma péssima decisão pode iludir...


Sami entrou ao intervalo do jogo de hoje contra o Genk e fez dois golos. Quem não viu o jogo certamente ficará impressionado e quererá ver mais deste jogador. Mas mesmo quem viu o jogo terá ficado iludido. Sobretudo porque a maioria das pessoas que vê futebol (e o narrador da SportTV também) sobrevaloriza o último gesto subvalorizando todos os gestos anteriores com a mesma influência (ou até maior!) no resultado final.


Fica um excelente exemplo daquilo que afirmo. Sami é um jogador banal, fez dois golos e um deles precedeu uma péssima decisão. Na cabeça dos adeptos Sami deve ser titular no próximo amigável. E na de Lopetegui? Veremos...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Selecção neste mundial. Foram as escolhas?!


A opinião é mais ou menos generalizada. O problema do fracasso no mundial foi das escolhas do seleccionador. Não levou os melhores ou os que estavam melhor nesta fase. Contudo, esta não é a minha opinião. Acreditar que jogadores medianos como Cédric, Adrien, Paulo Oliveira, Ivan Cavaleiro ou Quaresma fariam muito melhor do que os que estiveram no Brasil é para mim difícil de compreender e de aceitar.
A selecção tem um lote de grandes jogadores e é candidata a ganhar títulos? Nunca... A qualidade da grande maioria dos jogadores da selecção neste momento é baixa e por isso não se pode exigir muito. No entanto estes jogadores podem jogar muito mais do que fizeram. Foram as lesões? Não me parece. Vários jogadores não lesionados tiveram prestações pouco brilhantes. Foi o calor? Acho difícil quando olho para as prestações da Suíça ou da Bélgica que mesmo sem serem demasiado entusiasmantes revelam um nível de jogo de acordo com a sua qualidade.
O problema é outro. É o contexto. São as ideias do treinador e a forma como este pensa o futebol. Essa é a única explicação para os erros sucessivos de organização que foram cometidos nos três jogos. Isso sim é um problema e que a continuidade do treinador dificilmente corrigirá.

Linha defensiva sempre descoordenada e agarrada às referências individuais que são uma marca indiscutível do modelo de Paulo Bento. Neste caso é Bruno Alves completamente descoordenado em relação aos seus colegas e que permite que o espaço mais importante do jogo (em frente à baliza) não tenha jogadores portugueses. 


Jogo de coberturas defeituoso ou inexistente na grande maioria das situações. Os jogadores estão preocupados com o seu adversário directo e não há qualquer coordenação colectiva a defender a sua baliza. Nesta situação a distância entre a contenção (ultrapassada) e o jogador seguinte é tão grande que estranho não tenha criado mais perigo...


A equipa está a ganhar mas precisa de marcar mais, todos sabemos. Mas isso não justifica tamanha desorganização a defender. Ausência de cobertura ao central que saiu na dobra ao lateral, central que fica e lateral não ajustam e ficam agarradas a uma marcação individual que só se vê nos distritais (e mesmo aí já nem em todas as equipas), médio defensivo lento a ajustar na cobertura ao central para formar linha de três. Tudo muito mau...


Controlo dos cruzamentos inexistente. A selecção defende cruzamentos da mesma forma que defende combinações à entrada da área. Cada um marca o seu e a iniciativa fica toda do lado de quem ataca. Só não houve mais golos porque o Gana já não estava no mundial... A Alemanha marcou quatro sem fazer grande esforço.


Isto tudo para dizer que o problema não foram as escolhas, o problema foram as ideias... Ou não se treinou bem e as ideias não passaram (são muitos erros e tão básicos que não consigo acreditar) ou então treinou-se outra coisa qualquer que não foi, de certeza, futebol... O resto não sei, os meus conhecimentos de ortopedia e de fisioterapia não são suficientes para avaliar o "índice lesional" da equipa...

terça-feira, 24 de junho de 2014

Mundial 2014: Onze da segunda jornada


Titulares (4x3x3):
Ochoa (México)
Serge Aurier (Costa Marfim)
Mario Yepes (Colômbia)
Mensah (Gana)
Beasley (EUA)
Matuidi (França)
James Rodriguez (Colômbia)
Modric (Croácia)
Benzema (França)
Alexis Sanchez (Chile)
Luis Suarez (Uruguai)

Suplentes (3x4x3):
Sergio Romero (Argentina)
Kompany (Belgica)
David Luiz (Brasil)
Haliche (Argelia)
Muntari (Gana)
Pjanic (Bosnia)
Feghouli (Argélia)
Bryan Ruiz (Costa Rica)
Valencia (Equador)
Robben (Holanda)
Mandzukic (Croácia)